sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cara descoberta

Bom dia pessoas!!!!
Hoje sexta feira, e glórias a Deus por mais um dia em Sua presença.

Hoje leremos um texto escrito pelo querido Cezar Azevedo, e desde já agradecemos pela colaboração em nosso blog.

Tenham todos um abençoado fim de semana.

Ana Carina

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Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. (II Co 3.18).




Para lermos as escrituras devemos adotar dois procedimentos básicos: sobrevoar a floresta para conhecermos todo seu entorno, adentrarmos na mata para explorarmos o seu terreno. Uma coisa não pode ser feita sem a outra. Assim, não podemos simplesmente estudar a Bíblia fatiando os seus versículos, descontextualizando-os. Antes é preciso verificar os vínculos que o texto guarda com seu contexto, bem como à luz de toda escritura.

Ao nos depararmos com o texto em II Co 3:18, notamos de imediato a conjunção adversativa “mas”. Esta conjunção tem por objetivo relacionar pensamentos contrastantes, opositivos ou restritivos. Assim, devemos recuar os versículos anteriores até entendermos com clareza o contexto ao qual está inserido o versículo. O versículo, em si, fala sobre a obra da transformação pela qual passa o cristão para assemelhar-se na imagem de Deus.

Uma técnica que pode ser aplicada para clarificar nosso entendimento é o do resumo baseado na relação de completitude, extraindo todos os adendos do próprio texto. Neste caso a conjunção adversativa “mas” está associada ao texto que se inicia em II Co 3:13. A leitura resumida se configuraria nos seguintes termos:

E não somos como Moisés, ... Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. (II Co 3.13a,18)

Se observarmos atentamente entre o verso 13 ao 18 temos duas vezes a conjunção “mas”, contudo em ambas as ocasiões fazem referência à explicação do porque Moisés é citado, sendo adversativa quando declarado que o cristão, em contraste a Moisés, tem cara descoberta.

Paulo cita Moisés como exemplo negativo ao expor uma experiência singular experimentada por este grande líder do Antigo Testamento. Moisés fora chamado por Deus para ser o libertador de Israel da escravidão do Egito (At 7:25). Cumprida sua missão Moisés teve o encargo de subir ao Monte Sinai para receber da parte de Deus os dez mandamentos (Ex 19:25). A presença de Deus fora tão majestosa que todo o povo de Israel temeu e tremeu (Ex 20:18). Ao descer Moisés se mostrara profundamente impactado pela presença de Deus ao ponto de seu rosto brilhar (Ex 34:30). O brilho fora tão forte que exigiu Moisés colocar sobre sua face um véu para que pudesse comunicar-se com o povo (Ex 34:33). O interessante é que Moisés não sabia do brilho em seu rosto até lhe ser dito pelos que contemplavam a sua face (Ex 34:29), todavia tão logo soube tomou a providência de cobrir seu rosto.

Paulo, fazendo comentário acerca desta passagem na vida de Moisés, disse que um dia o brilho no rosto de Moisés deixou de existir. Ele, ao invés de simplesmente tirar o véu, continuou com ele fazendo crer aos que o viam que a glória ainda perdurava debaixo daquele véu (II Co 3:13). A razão da glória ter ido embora era que a lei e seus efeitos eram transitórios, só a obra do Espírito Santo permanece para sempre.

O que o apóstolo esta a enfatizar é a resultante produzida pela conversão no cristão. Paulo declara que qualquer judeu que se converte, o que é extensivo a qualquer indivíduo, o véu é retirado do coração, fazendo com que o cristão seja transparente diante de Deus.




Observemos o seguinte. A lei veio por Moisés (Jo 1:17). O objetivo da lei é o de revelar o pecado no coração do homem (Rm 3:20), portanto a lei serve de aio para conduzir o pecador a Cristo (Gl 3:24). Agora, uma vez que se está em Cristo, nova criatura é (II Co 5:17), todavia o indivíduo passa a conviver com duas naturezas: o velho e o novo homem (Ef 4:22,24). O produto de cada um deles são diametralmente opostos, sendo que o velho homem produz obras da carne (Gl 5:19-21) e o novo homem o fruto do Espírito (Gl 5:22).



Quando o apóstolo Paulo fala que temos cara descoberta, esta a dizer que reconhecemos a luta entre a carne e o Espírito de Deus (Gl 5:17) e que somos totalmente impotente para fazermos a vontade de Deus a não ser que andemos na liderança do Espírito Santo (Gl 5:16). A este processo Paulo denomina-o “transformação”.


A transformação nada mais é que o implantar no cotidiano a natureza divina que recebemos no novo nascimento (II Pd 1:4). Em outras palavras, ser transformado equipara-se a andar com Deus como fez Enoque (Gn 5:24), condição básica para ser arrebatado quando do toque da trombeta (I Ts 4:17). Portanto a condição sine qua non para ser transformado é ter intimidade com Deus ao ponto de conhecê-Lo, bem como ao Seu Filho, a quem Ele enviou (Jo 17:3).


Os cristãos erram por transformar este processo de transformação, também conhecido por santificação em mero cumprimento de regras “tais como: não toques, não proves, não manuseies?” (Cl 2.21). Tais regras são equivalentes ao uso do véu da parte de Moisés, demonstra a todos, pela aparência que se é cristão, quando, na verdade, esta se mantendo o coração distante do trono da graça, não reconhecendo a necessidade de não mais produzir obras da carne, mas sim o fruto do Espírito.


O princípio basilar da transformação é o de primeiro experimentar em si mesmo o poder de Deus para então testemunhar sobre o que Deus obrou em seu coração, razão porque o Senhor dissera:


E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. (Mt 7.3-5)


Ou seja, só podemos apontar defeito em alguém naquilo que nós mesmos fomos transformados pela ação soberana do Espírito Santo em nosso coração (II Co 3:18). Ademais, como podemos crer que alguém será transformado por Deus, e estamos falando de cristãos experimentando esta realidade, se nós mesmos não damos prova em nós que isso é possível? Como pode a esposa crer que seu esposo haverá de mudar de comportamento se ela mesmo age como sempre o fez? Como pode o marido testemunhar mudanças em sua esposa se ele próprio insiste em agir do mesmo modo? Como pode o filho crer que seus pais vão mudar de comportamento se ele próprio insiste em ser o mesmo? Como podem os pais crer nas transformações de seus filhos se eles mesmos não são moldados por Deus?


Nós precisamos menos de testemunhos de bênçãos materiais e muito mais de transformações de coração.

Cezar Azevedo

Um comentário:

  1. Texto maravilhozissimo aprendi algo muito importante obrigada por compartilhar, que Deus continue a lhes dar discernimento e sabedoria.

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